• A osteopatia é uma modalidade terapêutica desenvolvida recentemente
  • Baseia-se no contato manual para diagnóstico e tratamento
  • O futebol é um esporte praticado por aproximadamente 200 milhões de pessoas ao redor do mundo
  • A osteopatia pode ajudar os atletas de futebol aliviando dores de origem músculo esquelética através da terapia manual

 

A osteopatia é uma modalidade terapêutica criada recentemente nos Estados Unidos pelo Dr. Andrew Taylor Still (1828-1917), que criou os princípios básicos para esta medicina natural.

Figura 1 – Andrew Taylor Still o criador da osteopatia

 

É uma especialidade que tem como base a teoria que o corpo pode produzir seus próprios remédios, graças às relações estruturais normais, condições ambientais e nutricionais normais. Também se fundamenta na utilização do contato manual para o diagnóstico e o tratamento.

Os osteopatas utilizam uma grande variedade de técnicas terapêuticas manuais que visam melhorar as funções fisiológicas e/ou manter a homeostasia (equilíbrio) que tenha sido alterada por disfunção somática (as estruturas do corpo), ou seja, uma alteração ou degradação da função dos componentes do sistema nervoso somático (responsável pelo controle dos músculos voluntários e pela sensibilidade e propriocepção) que são: as estruturas esqueléticas, articulares e miofasciais, assim como os elementos vasculares, linfáticos e neurológicos relacionados.

No Brasil a osteopatia é uma especialidade da fisioterapia, logo todos os osteopatas são fisioterapeutas, mas isso não é comum a todos os países, por exemplo na Rússia os cursos de osteopatia são cursados por médicos.

O futebol é um esporte muito popular no mundo e é praticado por milhões de pessoas todos os dias. Com a alta popularidade e elevado número de adeptos também cresce o número de lesões.

Segundo um estudo realizado pela UEFA (Federação Europeia de Futebol), cada jogador tem em média 2 lesões por temporada e cada time com 25 jogadores tem em média 50 lesões por temporada e a maioria ocorre nos membros inferiores, sendo coxa e joelho os locais mais comuns.

 

 

Como um osteopata pode ajudar nas lesões no futebol?

No caso de lesões traumáticas agudas, poucas técnicas osteopáticas poderão ser usadas no local, mas algumas técnicas manuais podem ser feitas longe do local lesionado visando uma melhor resposta vascular e neural. Mas quando a lesão já não é aguda, e a mobilização é permitida, o osteopata pode ajudar a restaurar o movimento limitado ou perdido naquela região. Por exemplo, após uma entorse de tornozelo alguns movimentos ainda são restritos ou doloridos, ou após uma cirurgia de joelho alguns graus de movimento estão limitados. Com a utilização de técnicas manuais articulares, musculares e/ou miofasciais essas limitações podem ser rapidamente resolvidas.

Em caso de lesões crônicas, aquelas que levam mais tempo para ser solucionada ou sanada, o conhecimento da osteopatia pode ajudar a entender essas disfunções. Por exemplo, muitas lombalgias e pubalgias (leia o artigo aqui), geram pontos gatilhos, que são pontos em músculos tensos, que geram dor local e à distância de onde se localizam, e que quando tratados com técnicas manuais diminuem significativamente a dor dos atletas (fig 2 e 3).

Figura 2 e 3: Exemplos de pontos gatilhos em adutor magno (2) e psoas maior e ilíaco (3) que podem gerar dor no púbis e na lombar respectivamente.

Fonte: Travel e Simons – Dor e Disfunção Miofascial

 

Na opinião do autor a osteopatia é apenas uma “peça” na caixa de ferramentas de um fisioterapeuta esportivo, já que o diagnóstico e tratamento das disfunções ocasionadas no futebol necessitam de mais “peças” de suma importância, como utilização de exercícios terapêuticos, sejam eles realizados na sala de fisioterapia, na academia, no campo de treino ou na piscina. Além da necessidade de conhecimentos de métodos de treinamento, de modelos de prevenção de lesões ( leia o artigo aqui ), de uso de aparelhos de eletrotermofototerapia, entre outros.

 

Referencias Bibliográficas:

  1. Ricard, F.; Vaca, A. O.. Osteopatía Basada en la Evidencia. Editora Medos. 2017
  2. Ekstrand, J.; Hägglund, M.; Waldén, M.. Injury incidence and injury patterns in professional football: the UEFA injury study. BJSM. 2013.

Corredor de rua e praticante de artes marciais.

Fisioterapeuta, especialista em Fisioterapia Esportiva.
Mestre em Saúde da Criança e do Adolescente.
Trabalha junto à equipe do FC Lokomotiv Moscow, em Moscou, Rússia.

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