• A cafeína é um alcaloide natural presente em bebidas como café, chás, refrigerantes e bebidas energéticas
  • Ela será mais rapidamente absorvida quando ingerida na forma líquida (café ou bebidas energéticas), levando aproximadamente 40 minutos para saturar a corrente sanguínea. As cápsulas de cafeína podem levar de 84 a 120 minutos para atingirem a corrente sanguínea.
  • Seus efeitos consistem em aumentar o estado de alerta e reduzir a sensação de fadiga, porém doses acima de 9mg/kg/peso não são recomendadas, pois podem ocasionar efeitos colaterais como irritabilidade, insônia, taquicardia, ansiedade, diarreia e hiperestimulação do sistema nervoso central.
  • É sugerido que as propriedades de melhora do rendimento esportivo em decorrência do uso de cafeína se deem principalmente pela sua ação no sistema nervoso central.
  • Sua utilização está fundamentada para diversas modalidades, sejam de longa duração, contínua ou intermitente, ou de curta duração e alta intensidade, tanto antes quanto durante o exercício físico.
  • A cafeína também atua no humor e estado de alerta de atletas e desportistas e, por isso, deve ser usada de forma cautelosa.

 

A cafeína, também conhecida como 1,3,7-trimethilxanthina, é um alcaloide natural presente em bebidas como café, chás, refrigerantes e bebidas energéticas, com absorção no sistema gastrointestinal de forma rápida e metabolização no fígado, onde resulta em três metabólitos ativos: paraxantina, teofilina e teobromina.

 

A cafeína terá diferentes velocidades de absorção, dependendo do modo como é administrada. Ela será mais rapidamente absorvida quando ingerida na forma líquida (café ou bebidas energéticas), levando aproximadamente 40 minutos para saturar a corrente sanguínea. As cápsulas de cafeína podem levar de 84 a 120 minutos para atingirem a corrente sanguínea. A sua excreção e de seus metabólitos é realizada através dos rins, apresentando meia-vida de aproximadamente 5h. Ou seja, ingerir a cápsula de cafeína imediatamente antes do treino não terá nenhum resultado no treino, somente no pós-treino.

 

 

Seus efeitos sobre o organismo consistem em aumentar o estado de alerta e reduzir a sensação de fadiga. Seu uso é considerado seguro por diversas agências de saúde, principalmente quando consumida em quantidades baixas a moderadas (cerca de 1 mg a 6 mg/kg/dia). Doses acima de 9mg/kg/peso não são recomendadas, pois podem ocasionar efeitos colaterais como irritabilidade, insônia, taquicardia, ansiedade, diarreia e hiperestimulação do sistema nervoso central.

Cérebro: Talvez somente mais um copo…
Copo de café: Tudo bem se eu trouxer um amigo (ansiedade)?
Fonte:http://theawkwardyeti.com/comic/caffeines-friend/

 

A quantidade de cafeína presente no café depende do grão e da forma de preparo, contendo de 72 a 130mg em 240ml de café coado e 58 a 76mg em uma única dose de café expresso. Já nos chás, pode conter de 40 a 60mg, nas bebidas energéticas 80mg e no cacau e chocolate de 5 a 20mg/100g.

Fonte: https://www.flickr.com/photos/franganillo/45597924825/in/photostream/

 

Os principais alvos da cafeína são:

Tecido adiposo: induzindo lipólise.

Tecido muscular cardíaco: influenciando sua contratilidade.

Tecido muscular esquelético: influenciando sua contratilidade.

Glândula adrenal: estimulando a secreção de adrenalina.

Sistema nervoso central: aumentando o alerta e diminuindo a percepção de esforço.

Embora existam todas essas ações, é sugerido que as propriedades de melhora do rendimento esportivo em decorrência do uso de cafeína se deem principalmente pela sua ação no sistema nervoso central. Embora ela atue mobilizando ácidos graxos do tecido adiposo, não aumenta a oxidação de gordura durante o exercício físico, não sendo hábil a ponto de reduzir a utilização do glicogênio muscular como fonte de energia.

Sua utilização está fundamentada para diversas modalidades, sejam de longa duração, contínua ou intermitente, ou de curta duração e alta intensidade, tanto antes quanto durante o exercício físico.

Em ciclistas, por exemplo, o consumo de cafeína antes ou durante uma competição levou a melhor desempenho e menor tempo necessário para completar a prova. Se utilizada após uma grande competição, a cafeína parece favorecer a retenção de glicogênio muscular, facilitando, portanto, a recuperação dos atletas.

Dr. Gustavo durante uma prova de triathlon

 

Acheson e colaboradores (2004) observaram que não somente a cafeína estimula o gasto energético em repouso como aumenta a termogênese celular, acompanhada de um turnover de ácido graxo.

Altimari e colaboradores (2005) relatam que, com base em estudos como o de Costill, Dalsky e Fink (1978) é sugerido que a utilização da cafeína aumenta o desempenho em exercícios de longa duração, fato que está associado a um catabolismo aumentado dos triglicerídeos e à redução da glicogenólise muscular.

Um dos últimos artigos de revisão de 2019 concluiu que a síntese das metanálises atualmente disponíveis sugere que a ingestão de cafeína melhora o desempenho do exercício em uma ampla gama de tarefas de exercício. Efeitos ergogênicos da cafeína na resistência muscular, força muscular, potência anaeróbica e resistência aeróbia foram substanciadas por moderada qualidade da evidência vinda de moderada a alta revisões sistemáticas de qualidade. Parece que a magnitude do efeito da cafeína é geralmente maior para o exercício aeróbico quando comparado com o anaeróbico.

A cafeína também atua no humor e estado de alerta de atletas e desportistas e, por isso, deve ser usada de forma cautelosa. Alguns indivíduos metabolizam de forma lenta a cafeína e tendem a apresentar sinais e sintomas quando a consomem. Ou seja, o consumo excessivo, em metabolizadores lentos, poderia levar a quadros de arritmias cardíacas, sudorese aumentada, tremedeiras e ansiedade. Portanto, avaliem sempre a sensibilidade individual.

Sendo assim, não custa nada lembrar de sempre consultar um profissional para obter o melhor resultado e ter um consumo adequado da substância, ok?

 

REFERÊNCIAS

  1. Grgic J, Grgic I,Pickering C, et al. Wake up and smell the coffee: caffeine supplementation and exercise performance — an umbrella review of 21 published meta-analyses.  J Sports Med 2019;0:1–9. doi:10.1136/bjsports-2018-100278
  2. Goldstein et al. Journal of the International Society of Sports Nutrition 2010, 7:5 http://www.jissn.com/content/7/1/5
  3. TARNOPOLSKY, M. A. Caffeine and creatine use in sport. Annals of Nutrition and Metabolism, n. 57, Suppl 2, p.1-8, 2010.
  4. ALTERMANN, M. A.; DIAS, C. S.; LUIZ, M. V.; NAVARRO, F. A Influência da cafeína como recurso ergogênico no exercício físico: sua ação e efeitos colaterais. Revista Brasileira de Nutrição Esportiva, São Paulo v. 2, n. 10, p. 225-239, Julho/Agosto, 2008.
  5. HELOU, T.; VASQUEZ, D. G.; SUZUKI, V. Y. INFLUÊNCIA DA CAFEÍNA NA LIPÓLISE E METABOLISMO DA GLICOSE DURANTE UMA AULA DE CICLISMO INDOOR. Revista Brasileira de Nutrição Esportiva, São Paulo. v. 7. n. 39. p.185-191. Maio/Jun. 2013.
  6. MELLO, D.; KUNZLER, D. K.; FARAH, M. A CAFEÍNA E SEU EFEITO ERGOGÊNICO. Revista Brasileira de Nutrição Esportiva, São Paulo v. 1, n. 2, p. 30-37, Mar/Abril, 2007.
  7. Altimari, L.R.; Cyrino, E.S.; Zucas, S.M.; Okano, A.H.; Burini, R.C. Cafeína: ergogênico nutricional no esporte. Rev. Bras. Ciên. e Mov. 9 (3): 57-64, 2001.

Nutri. Giovana Leiner

Triatleta e praticante de crossfit.

Nutricionista com especialização em nutrição esportiva e fitoterapia. Trabalha com ênfase na melhora do rendimento dos atletas.

MEDICINA DESPORTIVA

© 2018 Medicina desportiva.
Todos os direitos reservados.

Desenvolvido por  

ASSINE A NEWS