• Overtraining é a combinação de excesso de treino com uma recuperação inadequada, tendo redução da performance esportiva associada à fadiga.
  •  A etiologia é a exposição crônica à dietas restritivas, mecanismos de reparo muscular e ambiente hostil, corroborando para adaptações forçadas aberrantes e disfuncionais.
  •  A combinação de undereating (déficit alimentar), undersleeping (déficit de sono) e underresting (déficit de repouso) também influenciam a síndrome de overtraining.

 

Síndrome de Overtraining

Overtraining é definido como um acúmulo de estresse, devido ao treinamento e aos estressores adicionais da vida, que resulta em um decréscimo de desempenho de longo prazo que pode ou não ser acompanhado por sinais e sintomas psicológicos e fisiológicos.

Os atletas competitivos são direcionados rotineiramente para alcançar os limites de suas habilidades físicas. Quando intercalado com períodos de descanso e recuperação, um programa de treinamento altamente exigente pode trazer enormes benefícios. No entanto, quando um atleta é forçado além de seus limites, a síndrome do overtraining pode se desenvolver e resultar em danos que podem encerrar a carreira.

 

Epidemiologia e definições

Descrito em 1923, a síndrome de overtraining tem sido uma doença enigmática. Os estudos são limitados e conflitantes em estimativas de incidência e prevalência, indicando que entre 5% e 64% dos atletas de elite experimentam overtraining pelo menos uma vez na carreira. A epidemiologia do overtraining é complicada pelo fato de que falta uma definição clara. Muitos pesquisadores incluem o overreaching, que é subdividido em funcional e não funcional, como um precursor do overtraining. Os dados de overreaching são frequentemente quantificados com dados de overtraining, distorcendo assim a prevalência para a direita.

O overreaching funcional é simplesmente um período agudo em que a carga de treinamento ou intensidade é significativamente aumentada. Como o próprio nome indica, funcional pode ser uma parte altamente benéfica de um regime de treinamento, já que o overreaching planejado pode resultar em adaptações fisiológicas positivas e melhorias no desempenho. A restauração completa do desempenho ou melhoria ocorrerá tipicamente dentro de 3 a 14 dias.

O overreaching não funcional é semelhante ao overtraining, na medida em que se encontra no mesmo espectro e é diferenciado apenas no momento da recuperação. Geralmente, o overreaching não funcional é causado por um breve período de sobrecarga de treinamento, seguido por uma recuperação inadequada, geralmente ocorrendo durante dias ou semanas. Se os intervalos de descanso não forem incorporados ao regime de treino, este overreaching pode progredir para o overtraining.

A distinção entre overreaching não funcional e overtraining não é determinada pela gravidade dos sintomas, mas pela duração do tempo necessário para a recuperação, que atualmente é identificada mais facilmente após o repouso completo. Existem muitos erros de percepção sobre o conceito dessa síndrome crônica: dor muscular não é igual a overtraining, e sim um possível sintoma.

 

Diagnóstico

A síndrome de overtraining é causada por um desequilíbrio entre o treinamento, a nutrição e o descanso, levando à diminuição do desempenho e à fadiga. Em comparação com atletas saudáveis, os que sofrem com a síndrome do overtraining apresentaram diminuição da qualidade do sono; aumento da duração do trabalho ou estudo; diminuição da libido; ingestão de calorias diminuídas (carboidratos e proteína); estados de humor diminuídos; diminuição da taxa metabólica basal e oxidação de gordura; aumento da gordura corporal; diminuição da massa muscular; e diminuição da hidratação.

 

Redução do consumo de calorias, piora do sono e aumento da atividade cognitiva são prováveis ​​gatilhos da síndrome de overtraining. Obtendo uma história completa, um diagnóstico clínico de overtraining pode ser determinado mostrando diminuição do desempenho (apesar do repouso adequado), alterações do humor e ausência de outras causas de queda de performance. No entanto, se um paciente apresentar performance reduzida, mas não tiver feito mais de 2 a 3 semanas de descanso, o diagnóstico de overtraining não deve ser fechado, embora possa ser considerado overreaching não funcional e tratado com repouso adequado. Se o paciente não recuperar após um descanso adequado de pelo menos 2 semanas, o overtraining pode ser diagnosticado empiricamente. Registro regular da freqüência cardíaca, lactato sanguíneo e alterações de humor são as ferramentas mais eficazes para reconhecer quando um atleta está indo além do overreaching diretamente para o overtraining.

 

O último guideline de 2013 prevê que o diagnóstico é principalmente a redução inesperada da performance, porém, são poucos os marcadores bioquímicos que sustentam um diagnóstico. O estudo EROS comparou diversos marcadores bioquímicos e hormonais entre grupos de indivíduos com síndrome de overtraining, saudáveis e sedentários, sendo o maior estudo sobre endocrinologia do esporte. Em overtraining, existe uma redução da relação neutrófilos:linfócitos, reforçando a teoria imunológica da doença, CPK e lactato são, como esperado, aumentados. O aumento das catecolaminas pode ser uma tentativa do corpo com overtraining manter o funcionamento. Alguns novos marcadores elucidados pelo estudo são as reduções desproporcionais da oxidação de gordura e da taxa metabólica basal. O EROS encontrou que overtraining não apresenta disfunções e sim perda dos benefícios adquiridos pelo esporte. Será que se pode considerar uma síndrome hipermetabólica?

 

Tratamento

O principal elemento de todos os planos de tratamento é o repouso relativo ou absoluto, dependendo da gravidade dos sintomas. O repouso relativo pode ser indicado caso os atletas de alto rendimento experimentem um aumento do estresse por inatividade completa obrigatória. Casos leves podem se recuperar após apenas algumas semanas de descanso ou diminuição da carga de treinamento. Casos mais graves de overtraining exigem intervalos mais longos de descanso e podem nunca ser resolvidos.

 

Prevenção

Fonte: https://buildingabetterlydia.wordpress.com/2012/03/30/the-glory-of-a-well-balanced-meal/

Além do repouso incluído na periodização do treinamento, manter o balanço energético positivo através da suplementação de carboidrato ajudará a repor o glicogênio e, assim, manter os níveis de catecolamina, cortisol e glucagon em níveis normais. Há novas pesquisas mostrando que uma dieta rica em carboidratos pode ajudar a prevenir o desenvolvimento de overtraining e acelerar sua recuperação. Naturalmente, uma dieta balanceada completa com carboidratos, proteínas e fluidos em quantidades suficientes para atender às demandas de treinamento intenso é muito importante. A suplementação de aminoácidos não demonstrou reduzir os sintomas do overtraining.

 

 

 

Referências

  1. Flavio A. Cadegiani, Claudio E. Kater & Matheus Gazola (2019): Clinical and biochemical characteristics of high-intensity functional training (HIFT) and overtraining syndrome: findings from the EROS study (The EROS-HIFT), Journal of Sports Sciences
  2. Flavio A. Cadegiani & Claudio E. Kater (2018): Body composition, metabolism, sleep, psychological and eating patterns of overtraining syndrome: Results of the EROS study (EROS-PROFILE), Journal of Sports Sciences
  3. Flavio A. Cadegiani & Claudio E. Kater (2017): Growth hormone (GH) and prolactin responses to a non-exercise stress test in athletes with overtraining syndrome: results from the Endocrine and metabolic Responses on Overtraining Syndrome (EROS) — EROS-STRESS, Journal of Sports Sciences
  4. David G. Carfagno & Joshua C. Hendrix (2014): Overtraining syndrome in the athlete: current Clinical practice, Current Sports Medicine
  5. Romain Meeusen et al. (2013): Prevention, diagonais, and treatment of the overtraining syndrome: joint consensus statement of the European Colleg of Sport Science and the American College os Sports Medicine

Dr. Fábio Crialezi

Praticante de Crossfit.

Médico Urologista, pós-graduando em Medicina Esportiva.
Trabalha com foco na prevenção de lesão e melhora do rendimento dos atletas e no tratamento das alterações urológicas com foco na terapia de reposição hormonal.

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