• Entorse corresponde a aproximadamente 10% das lesões desportivas.
  • Pode ser graduada em 3 diferentes graus, de acordo com as lesões ligamentares e instabilidade articular.
  • O tratamento fisioterápico é o principal tratamento e, na grande maioria das vezes, tem excelente resultado.

 

Introdução

A entorse do tornozelo é uma lesão muito comum nos praticantes de atividade física, correspondem a aproximadamente 10 a 15% das lesões esportivas.

 

Definição

A entorse se caracteriza como um movimento abrupto da articulação, com arco de movimento maior do que o suportado pelos ligamentos articulares. Este movimento pode causar estiramento ou ruptura dos ligamentos articulares. Os ligamentos são estruturas fortes, de tecido fibroso que conectam ossos a ossos. A lesão destes ligamentos pode gerar instabilidade da articulação.

 

Sintomas

A entorse do tornozelo pode cursar com alguns sintomas característicos: dor local, derrame articular, equimose (mancha na pele, de coloração variável, produzida por extravasamento de sangue) e instabilidade articular. Alguns atletas podem sentir e/ou ouvir um estalido ou barulho semelhante ao rasgar de um barbante.

 Exame médico

O exame médico consistirá de várias etapas. A primeira é a história da lesão (um estudo demonstrou que por mais que o atleta cite o movimento que ocorreu durante a lesão, a maioria das vezes o movimento relatado não condiz com as lesões encontradas durante o exame físico e o exame de imagem), a recorrência (sua frequência), gravidade das lesões anteriores e tratamentos já realizados (curativos e preventivos).

A segunda etapa é o exame físico, o médico fará a visualização da articulação, palpação de alguns pontos específicos (ossos, ligamentos e tendões) e testes específicos como o teste de gaveta. Durante esta etapa o médico poderá se utiliza dos critérios de Ottawa para decidir se solicitará ou não uma radiografia do tornozelo.

Os critérios de Ottawa foram desenvolvidos após um estudo ter demonstrado que o raio-x deve ser solicitado caso haja dor à palpação de alguns pontos específicos do tornozelo e a incapacidade de fazer o apoio com o pé machucado.

 

Exames de imagem

Os exames de imagem consistem na terceira etapa do exame médico. Caso hajam critérios necessários o raio-x pode ser solicitado para afastar a presença de uma fratura do tornozelo. A ressonância magnética raramente é solicitada, ela é o exame padrão ouro para o diagnóstico das lesões ligamentares. Na RM também podemos visualizar lesões de cartilagem e edema ósseo. O edema ósseo é um processo inflamatório que ocorre no osso após um trauma, poderíamos dizer de forma simplista que seria um estágio anterior à fratura óssea. Causa dor, perda da função do membro e pode demorar de 6 a 8 semanas para cicatrizar.

São necessários os exames de imagem?

Na maioria das vezes os exames de imagem não são necessários. É um fato que haverá lesão ligamentar uma vez que existe a entorse e a graduação desta lesão pode ser feita clinicamente, logo os exames de imagem somente serão necessários em casos específicos em que se suspeita de fraturas e lesões ocultas.

 

Classificação

As entorses podem ser classificadas de acordo com a sintomatologia e o exame físico. Podem ser classificadas em 3 graus:

– Grau 1: estiramento ou microruptura das fibras do ligamento. Leve desconforto e pequeno derrame articular.

– Grau 2: ruptura parcial dos ligamentos. Dor moderada, derrame articular mais evidente, durante o exame físico alguns movimentos podem causar dor acentuada e podem demonstrar uma frouxidão articular anormal.

-Grau 3: ruptura completa dos ligamentos. Dor forte, grande derrame articular e importante instabilidade da articulação.

Tratamento

O tratamento da entorse do tornozelo poderá ser fisioterápico e/ou cirúrgico. O tratamento fisioterápico será dividido em 3 fases:

Fase 1- O tratamento inicial de todas as lesões deve ser o protocolo PRICE (P-Proteção, R-Repouso, I-Gelo/Ice, C-Compressão e E-Elevação).

Fase 2- Analgesia, ganho do arco de movimento, força e flexibilidade.

Fase 3- Manutenção dos exercícios, ganho de força e inicio dos trabalhos específicos para cada atividade física.

Estas fases podem variar em tempo e podem durar de duas a oito semanas, dependendo do grau da lesão.

 

Consequências das entorses

Alguns atletas podem persistir com alguns sintomas após uma entorse. Dentre eles podemos citar a dor residual e a instabilidade crônica como os mais importantes.

Cerce de 20% das entorses podem evoluir com algum grau de instabilidade articular após 6 meses da lesão inicial. A maioria das vezes esta instabilidade está relacionada a alteração da propriocepção do atleta e o tratamento fisioterápico pode trazer bons resultados. No entanto, a instabilidade pode estar relacionada à lesão ligamentar e a não cicatrização adequada desta lesão. Sendo assim, o tratamento cirúrgico será indicado.

 

Prevenção de entorses

Não se preocupem, podemos sim diminuir as chances de termos uma entorse. Atenha-se ao básico:

– Faça um bom aquecimento articular.

– Use calçados adequados para a atividade a ser realizada.

– Concentre-se na atividade a ser realizada e mantenha o foco durante atividades em superfícies irregulares.

– Interrompa a atividade caso haja dor ou sinal de fadiga (o desequilíbrio muscular e a fadiga levam a alterações na propriocepção favorecendo novas lesões).

– Estudos recentes demostraram que um bom trabalho de propriocepção diminui a incidência de entorses (primeira vez) e também de novas entorses (entorses de repetição). Caso já exista um histórico de lesões, a utilização de órteses demonstrou ser mais eficaz em evitar novas lesões.

 

Conclusão

A entorse do tornozelo é uma lesão muito comum, na maioria das vezes o exame físico é o suficiente para poder detectar e graduar a lesão, o tratamento fisioterápico é o mais utilizado e o treinamento de propriocepção e o uso de órteses ajudam a evitar entorses.

Referências:

  • RODRIGUES, Fábio Lucas; WAISBERG, Gilberto. Entorse de tornozelo. Assoc. Med. Bras., São Paulo ,  v. 55, n. 5, p. 510-511,    2009 .
  • http://www.theottawarules.ca/ankle_rules
  • Doherty C, Bleakley C, Delahunt E, et al. Treatment and prevention of acute and recurrent ankle sprain: an overview of systematic reviews with meta-analysis. Br J Sports Med 2017;51:113-125.
  • Rivera MJ, Winkelmann ZK, Powden CJ, Games KE. Proprioceptive Training for the Prevention of Ankle Sprains: An Evidence-Based Review. J Athl Train. 2017;52(11):1065-1067.
  • Janssen KW, van Mechelen W, Verhagen EA. Bracing superior to neuromuscular training for the prevention of self-reported recurrent ankle sprains: a three-arm randomised controlled trial. Br J Sports Med. 2014;48(16):1235-9.
  • Schiftan GS, Ross LA, Hahne AJ, The effectiveness of proprioceptive training in preventing ankle sprains in sporting populations: a systematic review and meta-analysis. J Sci Med Sport. 2015 May;18(3):238-44. doi: 10.1016/j.jsams.2014.04.005. Epub 2014 Apr 26.

 

 

 

Freediver, velejador, triatleta e apaixonado pelo mar.

Médico especialista em medicina desportiva, ortopedia & traumatologia e cirurgia de joelho.
Trabalha com foco na melhora do rendimento do atleta e na prevenção de lesões.

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