• A duração e efetividade de ação do filtro solar sob a pele está diretamente ligada à quantidade de produto ativo espalhado por área de pele, e é inversamente proporcional à exposição aos ambientes de contato com água e quantidade de suor do indivíduo durante a atividade.
  • O exercício físico promove aumento de radicais livres circulantes e sua ação em tecidos-alvo.
  • Tanto o estresse oxidativo gerado pelo próprio exercício quanto a presença da exposição solar promovendo o dano da pele são capazes de acelerar o envelhecimento cutâneo no atleta.

 

 

A prática do exercício físico promove um processo inflamatório importante desencadeado pela degradação de fibras musculares exigidas durante a performance e toda a cadeia metabólica envolvida no processo. Se por um lado a musculatura esquelética necessita desta sinalização para que aconteça o crescimento muscular e também a remodelação óssea, por outro, os radicais livres formados por ela são extremamente reativos e promovem mudanças em estruturas e funções celulares. Na pele, por exemplo, induzem à perda de fibroblastos e alterações nos seus produtos como as proteínas de colágeno e matriz intercelular, utilizadas pela pele para manter sua estrutura e firmeza.

Apesar de o exercício físico moderado promover redução da necessidade de antioxidantes ao longo do tempo, sabe-se que para o exercício de longa duração ou muito alta intensidade realizado, o processo inflamatório toma grandes proporções no envelhecimento da pele.

Jogadora Ester Alencar do Curitiba Silverhawks – Fonte: Arquivo pessoal

Pensando neste aspecto de ser a oxidação parte do processo de ganho de massa muscular no atleta e na comum exposição ao sol e ao suor, foram se desenvolvendo práticas que vão além da suplementação oral de antioxidantes. O uso de ativos tópicos com potencial de reduzir a formação dos radicais livres e sua interferência nos processos celulares é cada vez mais difundido e encorajado. Fórmulas antioxidantes de aplicação tópica são grandes aliadas no combate ao envelhecimento cutâneo precoce no atleta decorrente de suas práticas. Uma destes ativos detém nossa especial atenção no presente artigo: a Melatonina.

A melatonina, hormônio produzido pela glândula pineal, é, há tempos, reconhecida como regulador do sono e usada com sucesso para melhora do efeito Jet Lag. Com o passar do tempo, foi mostrando potencial positivo de uso para regulação e melhora do sistema imune, perda de peso, melhora de fertilidade e inibição de crescimento tumoral. Sua produção não se restringe à pineal e está presente também em outros órgãos. A concentração da melatonina na pele, por exemplo, tende a ser entre 10 e 1000 vezes maior do que sua concentração no sangue, o que mostra sua importância para este tecido.  Baseado neste dado, o mecanismo de ação desta substância vem sendo esclarecido e sabe-se que age estimulando a ação e transcrição de enzimas antioxidantes. Além disso, é um potente estimulador da ação e transcrição das Sirtuínas, que são proteínas responsáveis pelos cuidados com o DNA celular e seu reparo, manutenção de telômeros, sinalização celular de apoptose (processo pelo qual o organismo regula a morte celular e proliferação de tecidos), em suma, são consideradas as proteínas da juventude por conta dessas ações.

Jogadora Ester Alencar do Curitiba Silverhawks – Fonte: Arquivo pessoal

A Melatonina apresenta uma redução na sua biodisponibilidade sanguínea quando administrada por via oral devido ao efeito de primeira passagem no fígado, quando uma parte é degradada, reduzindo sua concentração. Sabendo disto, seu uso tópico, assim como o uso de precursores de sua síntese, já que a pele apresenta tanto receptores para melatonina quanto todo um mecanismo de produção da mesma, torna-se muito interessante, podendo ser combinado a outros potentes antioxidantes como a Vitamina C estabilizada, ou ainda incluída em fórmula manipulada associada ao filtro solar. Conforme a demanda do esporte praticado, essas formulações podem ser adequadas para manter toque seco, sem irritação aos olhos quando aplicada em face e por conta do suor produzido durante os treinos e competições.

Referências:

  1. Milani M, Sparavigna A. Antiaging efficacy of melatonin-based day and night creams: a randomized, split-face, assessor-blinded proof-of-concept trial. Clin, Cosmet Invest Dermatol 2018:11 51-57.
  2. Sessa F, et alli. Consequences on aging process and human wellness of generation of nitrogen and oxygen species during strenuous exercise. Aging Male. 2018 Jun 27:1-9.
  3. Thirupathi A, Pinho RA. Effects of reactive oxygen species and interplay of antioxidants during physical exercise in skeletal muscles. J Physiol Biochem 2018 May 1.
  4. Scheuer C. Melatonin for prevention of erythema and oxidative stress in response to ultraviolet radiation. Dan Med J. 2017 Jun; 64(6).
  5. Kleszczynski K, Fischer TW. Melatonin and Human Skin Aging. Dermato-Endocrinology 4: 3, 245-252; July – December 2012.

 

Dra. Fernanda Bach

Atleta de Crossfit, praticante de Yoga e jogadora (Quarterback) de futebol americano.

Médica pós-graduada em dermatologia e nutrologia, atuando com nutrologia esportiva e medicina do Estilo de Vida.

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