• O álcool é incompatível com o exercício, tem elevado valor calórico (7 Kcal/g) e baixo valor nutritivo.
  • Deprime o sistema nervoso central (SNC), acentua a fadiga pelo aumento de produção do ácido láctico, interfere nos reflexos, diminui a capacidade de coordenação e diminui o tempo de reação.
  • Efeito diurético (diminuição da produção de hormônios antidiuréticos) – causa desidratação.
  • Metabolismo consome vitaminas e inibe as enzimas do metabolismo energético. Causa deficiência de vitaminas B1, B2, B6, B12 e C. Vitaminas de extrema importância para quem busca aumento de massa muscular.

Introdução

Neste artigo abordaremos um tópico bem conhecido, a ingestão de bebidas alcoolicas. Sim, você provavelmente já sabe que o álcool faz mal e será prejudicial. Mas o que acontece no seu corpo quando toma aquela cerveja? De que maneira pode influenciar seu treino? Leia e saiba mais sobre o assunto.

Caneca de Chopp – Imagem livre de copyright

Metabolismo

Após a sua absorção, o álcool é metabolizado predominantemente no fígado por duas principais vias, embora existam outras não menos importantes. Uma delas consiste em transformar o etanol em acetaldeído por meio da enzima álcool desidrogenase. Esta transformação demanda grande quantidade de vitamina B3 na forma de NAD. Isto faz com que haja menos vitamina B3 para a manutenção dos níveis glicêmicos, respiração celular e utilização de gorduras como fonte de energia. Ou seja, você passa a utilizar menos gordura como fonte energética. A segunda forma de metabolização é mais frequente em etilistas crônicos e na ingestão moderada a alta de álcool. Consiste na transformação do etanol ao mesmo acetaldeído por meio de uma enzima do citocromo P450. Esta via produz grande quantidade de radicais livres, que por sua vez, lesionam as células, aumentando o risco para neoplasias, doenças hepáticas e envelhecimento precoce, entre outros malefícios. Nutrientes antioxidantes como vitaminas C e E, zinco e selênio têm suas demandas aumentadas para neutralizar os radicais livres produzidos.

As bebidas alcoólicas não têm valor nutricional algum, só muitas calorias. E sem essa de querer justificar as escapadas dizendo que cerveja é diurética! Mesmo composta por 95% de água, a cerveja tem etanol suficiente para desidratar seu organismo. O álcool inibe o hormônio antidiurético, o que provoca aquela vontade de ir ao banheiro o tempo todo. O corpo perde líquido e a concentração de toxinas no sangue aumenta rapidamente. A cerveja, assim como as outras bebidas alcoólicas, também ajuda a aumentar a pressão sanguínea. É claro que o efeito varia conforme a quantidade de etanol presente na bebida e a quantidade ingerida, mas eu posso garantir que álcool e dieta não combinam.

 

E para o nosso resultado de hipertrofia ou definição muscular?

Dr. Fábio no remo – Fonte: Arquivo pessoal

Como dito acima, o álcool leva à desidratação, isso colabora com a perda de importantes vitaminas hidrossolúveis (vitamina C e do Complexo B) e minerais como Cálcio, Zinco e Magnésio, que estão ligados ao trabalho de contração e recuperação muscular. Por ser fermentada (a cerveja), leva à formação de gases com consequente distensão abdominal (formação da barriguinha). O consumo de álcool também diminui a síntese proteica, pois os níveis de testosterona caem enquanto aumenta a produção de estrógenos, resultando em menos massa muscular.

Cerca de 90% do álcool ingerido é absorvido na primeira hora, mas a eliminação demora de 6 a 10 horas. De uma forma simples, o organismo interpreta o álcool como se fosse açúcar! Isso faz com que o pâncreas produza mais insulina para quebrar o açúcar no sangue. Assim, o nível de glicose diminui e a pessoa pode ter uma crise de hipoglicemia. Além desta alteração nos níveis de glicemia, o álcool é muito calórico. Cada grama de álcool fornece 7 calorias, densidade calórica inferior apenas a gordura, que fornece 9 calorias por grama. Ou seja, ele altera a formação e recuperação muscular, diminui a massa magra, é muito calórico e ainda altera os níveis de glicemia.

A água é fundamental no processo de recuperação do organismo. Ela repõe os líquidos perdidos e auxilia na remoção das toxinas acumuladas. Se você não abre mão das bebidas alcoólicas, ok! Mas tenha consciência do que está fazendo. Se você procura ter resultados expressivos na musculação, evite bebidas alcoólicas ao máximo. Para quem busca detalhes no desempenho ou no corpo, uma cervejinha no fim de semana, pode sim fazer toda a diferença. Beba menos. Hidrate-se bem (se possível, antes de começar a beber, tome uma garrafa de água e faça opções mais saudáveis de tira-gostos). Uma bebida ocasional não é problema, mas não vamos correr o risco de perder nossa massa magra, se for ingerir bebida alcoólica, beba sempre com muita cautela e moderação.

 

REFERÊNCIAS:

  1. VP PANZA et al. Consumo alimentar de atletas: reflexões sobre recomendações nutricionais, hábitos alimentares e métodos para avaliação do gasto e consumo energéticos. Rev. Nutr., Campinas, 20(6):681-692, nov./dez., 2007
  2. Vella, L.D. ; Cameron-Smith, D. Alohol, athletic performance and recovery. Nutrients, 2010, 2, 781-789;doi:10.3390/nu2080781

Nutri. Giovana Leiner

Triatleta e praticante de crossfit.

Nutricionista com especialização em nutrição esportiva e fitoterapia. Trabalha com ênfase na melhora do rendimento dos atletas.

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